Especialista ensina como planejar a captação de recursos em ONGs

Consultora Rachel Carneiro ensina, em curso gratuito da Escola Aberta do Terceiro Setor, como sair da captação pontual para uma estratégia de sustentabilidade financeira de longo prazo
Pexels

Muitas organizações sociais ainda dependem de captar recursos projeto a projeto, sem contar com uma base de doadores institucionais que garanta previsibilidade financeira. É esse cenário que a consultora, professora e palestrante especialista em ESG e terceiro setor Rachel Carneiro busca transformar no curso gratuito “Captação Estratégica de Recursos”, disponível na plataforma Escola Aberta do Terceiro Setor (EAT). Criada para promover a filantropia e a profissionalização de organizações da sociedade civil no Brasil, a EAT oferece formação gratuita para gestores, colaboradores e voluntários do setor.

Ao longo do curso, Rachel propõe uma mudança de perspectiva: sair da visão fragmentada da captação — feita projeto a projeto — para uma estratégia institucional de longo prazo. “A estratégia de captação de recursos é um planejamento da ONG para gerar a receita necessária para suas campanhas, engajar doadores e sustentar todos os programas ligados ao seu propósito. Não é um conceito abstrato: são instruções documentadas, objetivos e processos visíveis para toda a equipe, apoiadores, conselho e público”, explica a consultora.

Metas claras antes de qualquer ação

Segundo Rachel, o primeiro passo de qualquer estratégia é a definição de metas e objetivos. Para isso, ela recomenda observar cinco critérios: especificidade, mensurabilidade — com indicadores como valor arrecadado, taxa de retenção de doadores ou número de novos apoiadores —, viabilidade diante do orçamento e da equipe disponíveis, alinhamento com a missão da organização e um prazo definido para alcançar cada objetivo. “A definição de metas claras guiará toda a estratégia, incluindo as ações escolhidas, a forma de comunicação e os recursos exigidos”, afirma.

A consultora também defende que a ONG avalie suas iniciativas anteriores de captação — campanhas, eventos e editais de subsídio — observando o que funcionou e o que não funcionou, do tamanho médio das doações ao desempenho de cada canal usado. A ideia é refinar a abordagem, mantendo as táticas que trazem resultado e abandonando esforços caros e pouco eficientes.

Uma narrativa para conectar causa e doador

Outro eixo do curso é a construção da narrativa institucional. Para Rachel, a comunicação de captação precisa explicar por que a missão da ONG importa e por que importa agora, usando histórias de impacto que ajudem o doador a visualizar sua contribuição. “O storytelling emocional forte auxilia doadores a se conectarem melhor com as pessoas atendidas pela ONG”, diz, defendendo consistência de mensagem e identidade visual em todos os canais — site, redes sociais e eventos.

A partir da pesquisa de potenciais doadores, a consultora orienta segmentar o público entre pessoas físicas, grandes doadores, empresas, fundações e órgãos públicos, já que cada perfil responde a abordagens diferentes — de doações recorrentes a patrocínios, subsídios e parcerias.

Diversificar métodos reduz dependência de uma única fonte

Rachel recomenda combinar diferentes táticas de captação, como campanhas digitais, captação peer-to-peer, eventos, grandes doações, doação recorrente, propostas de subsídio, doações planejadas e parcerias corporativas — cada uma exigindo recursos, investimentos e prazos diferentes. “Uma mistura ampla de métodos reduz a dependência de uma única fonte de receita e abre a captação para uma audiência maior”, afirma. Ela também destaca a importância de um CRM estruturado para gerir dados de doadores, de um orçamento dedicado à captação e do monitoramento constante dos resultados para ajustar a estratégia ao longo do tempo.

Para saber mais sobre o curso, acesse aqui.

(Redação ONG News)

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