Diálogos Editora estreia com livros sobre os impactos da vida digital

Novos títulos de Michelle Prazeres, Roberto Catelli, Heloisa Trenche, Fernanda Campagnucci e Marcelo Soares colocam em debate como tecnologia e aceleração estão transformando a forma como brasileiros vivem, aprendem e acessam informação
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Estamos vivendo ou apenas respondendo a urgências? O que significa estar alfabetizado em uma sociedade na qual boa parte da informação, do trabalho e das relações acontece por meio de telas? E por que aceitamos como inevitável uma internet organizada por poucas plataformas privadas?

Três livros recém-lançados no Brasil, pela Diálogos Editora partem dessas perguntas para discutir transformações que já afetam a vida cotidiana e devem ganhar ainda mais espaço no debate público nos próximos anos.

Urgente é gente: estamos vivendo se estamos sempre correndo?, de Michelle Prazeres; Alfabetismo no Brasil em tempos digitais, organizado por Roberto Catelli e Heloisa Trenche; e A internet não precisa ser assim, de Fernanda Campagnucci e Marcelo Soares, formam o catálogo inaugural da Diálogos Editora.

Embora tratem de campos distintos, as três publicações se encontram em um mesmo ponto: a tecnologia não está apenas introduzindo novas ferramentas no cotidiano. Ela está alterando nossa relação com o tempo, o conhecimento, o trabalho, a informação e a participação democrática.

Quando tudo vira urgente, o que acontece com a vida?

Em Urgente é gente: estamos vivendo se estamos sempre correndo?, Michelle Prazeres investiga uma experiência que se tornou familiar para milhões de pessoas: a sensação de que nunca há tempo suficiente.

Notificações, mensagens instantâneas, reuniões, demandas profissionais e a expectativa de disponibilidade permanente transformaram a urgência, antes associada ao excepcional, em uma espécie de regime cotidiano.

A autora propõe discutir o impacto dessa aceleração sobre trabalho, relações, saúde, cuidado e capacidade de presença. A questão que atravessa o livro é aparentemente simples, mas profundamente política: quem controla o nosso tempo?

Ao deslocar a discussão da produtividade individual para a organização coletiva da vida, Michelle questiona também a ideia de que administrar melhor a agenda seria suficiente para resolver um problema produzido por estruturas de trabalho, consumo e comunicação cada vez mais aceleradas.

O que significa saber ler em 2026?

Se a tecnologia mudou a maneira como usamos o tempo, ela também está transformando o que significa ler e escrever.

Em Alfabetismo no Brasil em tempos digitais, Roberto Catelli e Heloisa Trenche reúnem reflexões sobre alfabetismo em um cenário no qual atividades cotidianas – acessar serviços públicos, procurar emprego, movimentar dinheiro, estudar, consumir notícias ou identificar desinformação – exigem competências que vão muito além da decodificação de palavras.

O livro coloca em discussão uma questão estratégica para a educação brasileira: as políticas de alfabetização estão acompanhando as transformações nas práticas de leitura e escrita provocadas pelo ambiente digital?

A discussão ganha relevância porque desigualdades educacionais e desigualdades digitais frequentemente se sobrepõem. Não basta ter acesso a um celular ou à internet: é preciso conseguir interpretar informações, compreender interfaces, avaliar fontes e utilizar criticamente as ferramentas disponíveis.

Nesse sentido, alfabetização e inclusão digital deixam de ser agendas separadas e passam a integrar uma mesma discussão sobre cidadania.

A internet que conhecemos não é a única possível

Já A internet não precisa ser assim, de Fernanda Campagnucci e Marcelo Soares, parte de outra naturalização contemporânea: a ideia de que a internet necessariamente precisa funcionar como funciona hoje.

O livro discute como decisões tomadas por empresas de tecnologia e plataformas passaram a organizar parte significativa da circulação de informação, das relações sociais e do debate público.

Algoritmos, modelos de negócio baseados em dados pessoais, concentração econômica e moderação de conteúdo são apresentados não como características inevitáveis da tecnologia, mas como escolhas políticas, econômicas e regulatórias.

A proposta dos autores é deslocar a pergunta. Em vez de apenas discutir como sobreviver às plataformas existentes, questionam: que internet interessa à sociedade construir?

O debate ganha importância em um momento em que governos de diferentes países discutem regulação das plataformas, inteligência artificial, proteção de dados, desinformação e responsabilidade das empresas de tecnologia.

Tecnologia não é uma pauta separada da vida

Os três livros ajudam a revelar uma conexão nem sempre evidente. A mesma transformação tecnológica que acelera o trabalho modifica as práticas de leitura. A mesma infraestrutura digital que amplia o acesso à informação também concentra poder nas plataformas. As desigualdades educacionais existentes podem determinar quem consegue participar de maneira crítica desse novo ambiente.

É nesse cruzamento que a Diálogos Editora pretende construir seu catálogo.

“Queremos publicar livros capazes de colocar questões importantes do presente em circulação para além dos círculos especializados. Educação, tecnologia, democracia e cultura não são debates separados: eles atravessam a vida cotidiana e precisam chegar a públicos cada vez mais diversos”, afirma Roberto Catelli, diretor editorial da Diálogos.

A editora nasce da experiência acumulada pela Ação Educativa ao longo de mais de 30 anos de produção e circulação de conhecimento nas áreas de educação, cultura, democracia e direitos humanos.

Sua proposta editorial é trabalhar com questões emergentes, urgentes e insurgentes, aproximando pesquisas, reflexões e debates públicos de leitores que nem sempre têm acesso à produção especializada.

O primeiro conjunto de publicações funciona, assim, como uma declaração editorial: diante de transformações rápidas e frequentemente apresentadas como inevitáveis, os livros apostam em uma ferramenta antiga: parar, compreender e conversar antes de aceitar que o futuro já esteja decidido.

LANÇAMENTOS

URGENTE É GENTE: estamos vivendo se estamos sempre correndo?
Michelle Prazeres
R$ 70,00

ALFABETISMO NO BRASIL EM TEMPOS DIGITAIS
Organização: Roberto Catelli e Heloisa Trenche
R$ 75,00

A INTERNET NÃO PRECISA SER ASSIM
Fernanda Campagnucci e Marcelo Soares
R$ 70,00

A Diálogos Editora nasce da experiência acumulada pela Ação Educativa ao longo de mais de 30 anos de produção e circulação de conhecimentos comprometidos com a educação, a cultura, a democracia e os direitos humanos. Com um catálogo dedicado às questões emergentes, urgentes e insurgentes do nosso tempo, busca ampliar o acesso ao conhecimento, diversificar as vozes presentes no debate público e criar espaços de escuta, troca e reflexão.

Site: www.dialogoseditora.org.br

(Assessoria de Imprensa)

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