O terceiro dia do Fórum Interamericano de Filantropia Estratégica (FIFE) 2026, realizado na região metropolitana do Recife, trouxe reflexões sobre gestão e sustentabilidade no terceiro setor. A programação reuniu especialistas que apresentaram ferramentas práticas para organizações sociais, com foco no fortalecimento institucional, na melhoria de resultados e na ampliação do impacto social a partir de estratégias acessíveis e aplicáveis à realidade das OSCs.
Com a palestra “Planejamento para pequenas organizações sociais”, Luís Maurício Bessa destacou que o planejamento não precisa ser complexo para gerar resultados. Segundo ele, mesmo organizações com pouca estrutura ou conhecimento técnico podem se beneficiar de processos simplificados, desde que adotem uma abordagem prática e consistente. “É possível com pouco nível de conhecimento, com quase zero estrutura, a gente fazer um planejamento e ajudar as nossas organizações”
Planejamento como ferramenta acessível e estratégica
Durante a apresentação, Luís Maurício enfatizou que o uso de instrumentos de planejamento pode aumentar significativamente as chances de sustentabilidade das organizações. Dados apresentados indicam que grande parte das OSCs enfrenta dificuldades relacionadas à escassez de recursos e à ausência de práticas estruturadas de gestão, fatores que impactam diretamente sua continuidade ao longo do tempo.
O palestrante também apresentou um modelo simplificado de planejamento baseado em três etapas: definição, organização das ações e execução. Para ele, o primeiro passo consiste em identificar objetivos claros e priorizar aquilo que realmente faz diferença para a organização, considerando seu estágio atual e suas necessidades específicas. Esse processo deve ser conduzido internamente, respeitando as particularidades de cada instituição.
Na sequência, destacou a importância de estruturar um plano de ação com atividades concretas, prazos definidos e foco naquilo que está sob controle da organização. A clareza sobre o que precisa ser feito e quando fazer é fundamental para evitar dispersão de esforços e aumentar a efetividade das iniciativas.
Por fim, Luís Maurício reforçou que o sucesso do planejamento está diretamente ligado à execução. Mesmo planos simples, quando colocados em prática, podem gerar avanços significativos e contribuir para a evolução institucional ao longo do tempo.
Voluntariado como estratégia de transformação
Na palestra “Gente que importa: como Voluntariado redesenha OSCs, comunidades e destinos”, Roberto Ravagnani trouxe provocações sobre o papel do voluntariado no terceiro setor. Ele destacou que uma parcela significativa das organizações sociais no Brasil depende diretamente do trabalho voluntário, o que evidencia a centralidade desse recurso humano para a sustentabilidade das iniciativas.

O especialista chamou atenção para a necessidade de superar uma visão assistencialista do voluntariado, defendendo sua incorporação como estratégia organizacional. “Voluntário vai embora. Agora, a gestão vai fazer o quê? Que ele fique um tempo maior com você” A fala reforça a importância de estruturar processos de gestão que promovam engajamento e continuidade.
Ravagnani também destacou que o voluntariado não deve ser tratado como favor, mas como parte integrante da capacidade de atuação das organizações. Quando bem gerido, ele contribui com novas perspectivas, fortalece processos internos e amplia o alcance das ações desenvolvidas, gerando impacto mais consistente e duradouro.
Outro ponto abordado foi a importância de promover uma mudança de mentalidade nas organizações, reconhecendo o voluntário como agente estratégico e não apenas operacional. Isso implica oferecer estrutura, escuta e espaço para participação qualificada, permitindo que essas pessoas contribuam de forma efetiva para o desenvolvimento institucional.
A palestra também reforçou que o fortalecimento do voluntariado passa pelo reconhecimento de seu valor e pela construção de relações mais sólidas com as organizações. Nesse contexto, o investimento em gestão e em cultura de voluntariado se apresenta como caminho essencial para ampliar o impacto social e fortalecer o terceiro setor como um todo.
SOBRE O FIFE 2026
O FIFE 2026 segue até esta sexta-feira (17), com uma programação voltada ao fortalecimento das organizações da sociedade civil. Entre os principais temas estão captação de recursos, comunicação, governança, tecnologia e inteligência artificial, além de aspectos jurídicos, contábeis e de gestão.
O evento conta com o patrocínio de Audisa, Ambev, Banco do Nordeste, Governo do Brasil e Movimento Bem Maior, além do apoio de diversas instituições que contribuem para a realização do maior encontro de filantropia da América Latina.
A próxima edição do FIFE já tem destino definido. Em 2027, será realizado em Gramado, no Rio Grande do Sul. As inscrições já começaram com uma promoção inicial de R$699 por pessoa, para quem estiver presente em Recife nesta semana.
Para mais informações, acesse o site dialogosocial.com.br/fife26.
(Redação ONG News)