As mulheres estão assumindo papel cada vez mais estratégico na construção de negócios ligados à sociobiodiversidade na Amazônia. De iniciativas voltadas à medicina tradicional indígena à produção de fitoterápicos, biocosméticos, artesanato e biojoias, elas lideram projetos que combinam conservação ambiental, valorização cultural e geração de renda em comunidades amazônicas.
As ações integram o ciclo 2025-2026 do Fundo LIRA (Legado Integrado da Região Amazônica), iniciativa do IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, que apoia 53 projetos em 57 áreas protegidas da Amazônia Legal. Com investimentos de cerca de R$ 7 milhões, o programa fortalece organizações comunitárias e apoia iniciativas desenvolvidas por povos indígenas, comunidades tradicionais e populações rurais.
Segundo o Fundo LIRA, os projetos liderados por mulheres estão presentes em mais de 60 comunidades e aldeias da região e beneficiam diretamente mais de 1,2 mil pessoas. As iniciativas têm em comum a valorização de conhecimentos tradicionais transmitidos entre gerações e a criação de alternativas econômicas sustentáveis a partir dos recursos da floresta.
No sul do Amazonas, na Terra Indígena Caititu, mulheres do povo Apurinã estão à frente de um projeto voltado à preservação e ao uso de plantas medicinais. A iniciativa reúne integrantes de dez aldeias e prevê a implantação de canteiros medicinais, além da estruturação de uma unidade para beneficiamento e conservação de ervas. O trabalho também promove a troca de conhecimentos entre mulheres, jovens, anciãos e agentes de saúde, fortalecendo a transmissão de saberes ancestrais para as novas gerações.
Outro exemplo vem da Terra Indígena Xipaya, no Pará. Com apoio do Fundo LIRA, o Instituto Juma está estruturando um espaço dedicado à produção de fitoterápicos baseados nos conhecimentos tradicionais do povo Xipaya. A iniciativa inclui a aquisição de equipamentos para beneficiamento dos produtos e ações de formação voltadas principalmente para jovens e mulheres indígenas, com o objetivo de ampliar a produção e criar condições para futura comercialização.
A presença feminina também se destaca em projetos voltados à geração de renda. No Médio Juruá, no Amazonas, a Associação de Mulheres Agroextrativistas do Médio Juruá reúne centenas de mulheres que atuam na produção de biocosméticos, artesanato e biojoias. O apoio do Fundo LIRA tem contribuído para melhorar a infraestrutura produtiva, ampliar a capacitação técnica e fortalecer cadeias econômicas ligadas aos produtos da floresta.
No oeste do Pará, a Associação das Mulheres Trabalhadoras Rurais de Belterra e Região, conhecida como Amélias da Amazônia, ampliou sua estrutura para a fabricação de produtos como óleos, sabonetes e pomadas produzidos a partir de matérias-primas amazônicas. A organização surgiu da busca por alternativas de renda para mulheres da comunidade e encontrou na valorização de recursos locais uma oportunidade de fortalecer a autonomia econômica feminina.
Para o Fundo LIRA, os resultados demonstram que o fortalecimento das mulheres nos territórios amazônicos gera impactos que vão além da renda. Ao ampliar o acesso a infraestrutura, formação e apoio institucional, os projetos contribuem para a preservação de conhecimentos tradicionais, o fortalecimento das organizações comunitárias e a construção de estratégias de desenvolvimento alinhadas à conservação da floresta.
(Redação ONG News)