Cinco anos após o surgimento das primeiras Cozinhas Solidárias, o documentário “Vem Comer com a Gente – Cozinhas Solidárias” percorre diferentes regiões do Brasil para contar como a iniciativa criada pelo MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) durante a pandemia passou a integrar uma política pública nacional de combate à fome. O filme estreia em 17 de setembro, no Espaço Petrobrás de Cinema, em São Paulo, fica disponível online até 2 de outubro e, depois desse período, segue em circuito de distribuição de impacto e festivais de cinema.
Dirigido por Thomaz Pedro, o documentário parte do acesso à alimentação saudável e gratuita nas Cozinhas Solidárias, mas olha também para o que acontece ao redor do prato de comida, acompanhando pessoas que cozinham, comem, trabalham, se encontram e se organizam nesses espaços. “Acompanho as Cozinhas Solidárias desde o começo. Estive ali com uma câmera quando as primeiras experiências surgiram, durante a pandemia, e vi esse projeto crescer”, diz o diretor.
A história começou em 2021, durante a crise sanitária da Covid-19, quando trabalhadores das periferias continuavam se deslocando pela cidade e muitas famílias enfrentavam dificuldades para se alimentar. Foi nesse contexto que o MTST criou as primeiras Cozinhas Solidárias, iniciativa que cresceu e, em 2023, se tornou política pública nacional de combate à fome. Hoje são 1.406 cozinhas habilitadas e 221 entidades gestoras do Terceiro Setor credenciadas, das quais 470 recebem apoio financeiro via parcerias formalizadas com 20 entidades gestoras. Já foram distribuídas cerca de 13 milhões de refeições, com aproximadamente 21 toneladas de alimentos da agricultura familiar destinados às cozinhas.
O filme mostra como as Cozinhas Solidárias, além de enfrentarem a fome, se tornam pontos de encontro, acolhimento e formação política. “As Cozinhas Solidárias, em primeiro lugar, são essenciais no combate à fome no Brasil, mas são muito mais do que isso. Elas são espaço de solidariedade, de afeto e de cidadania”, afirma Thomaz.
Essas nuances aparecem na história de cinco personagens no Rio de Janeiro, em Santo André e Santa Isabel (SP), em Maceió e em Porto Alegre. No Rio, o entregador de aplicativo Jonathan encontra na cozinha um espaço de descanso e articulação com outros trabalhadores. Em Maceió, Mila, que já conheceu a fome, hoje alimenta outras pessoas em uma cozinha que também reúne atendimento de saúde, atividades com crianças e agrofloresta. Em Santo André, Patrícia, mãe solo e chefe de família, encontra na cozinha um lugar de convivência, apoio e fé. Em Santa Isabel, o agricultor familiar Fernando fornece alimentos para as cozinhas e mostra o elo entre produção e economia local. Em Porto Alegre, Lili, que acolhe pessoas em situação de rua, faz a cozinha funcionar diariamente e encontrou ali um novo sentido para a própria vida.
(Redação ONG News)