Casos recentes expõem violência policial contra mulheres negras

Organização aponta padrão estrutural e cobra resposta do Estado
Pexels

Casos recentes de agressões envolvendo agentes públicos e mulheres negras voltaram a ganhar repercussão e colocaram novamente em debate a atuação das forças de segurança no país. Para a CRIOLA, os episódios seguem um padrão já denunciado por organizações da sociedade civil.

Entre as ocorrências deste mês está a abordagem de uma mulher negra por guardas municipais em Osasco, registrada em vídeo, e o caso de uma trabalhadora doméstica imobilizada e algemada por policiais militares em São Paulo após cobrar o pagamento de diárias. A ação aconteceu diante da filha da vítima, de 7 anos, o que ampliou a repercussão.

A CRIOLA afirma que situações como essas não são pontuais. “Não estamos diante de casos isolados, mas da expressão de um padrão histórico de violência institucional”, diz a coordenadora-geral da organização, Lúcia Xavier.

Relatório da organização aponta que a violência praticada por agentes do Estado contra mulheres negras não se restringe à agressão física. Inclui também constrangimentos, humilhações e outras formas de violação. Segundo o documento, esse tipo de abordagem reflete a combinação entre racismo e desigualdade de gênero.

Os números ajudam a dimensionar o cenário. Entre 2013 e 2021, mais de 43 mil pessoas morreram em decorrência de intervenções policiais no Brasil, sendo a maioria negra. Embora os homens concentrem os casos letais, mulheres negras também aparecem entre as vítimas, muitas vezes em situações que envolvem diferentes tipos de violência.

Outro ponto destacado é a baixa responsabilização. Parte dos casos não avança em investigação ou punição, especialmente quando não há grande visibilidade. Para a organização, essa dinâmica contribui para a repetição das ocorrências.

Diante desse quadro, a CRIOLA defende mudanças na forma de controle das atividades policiais, maior transparência de dados e políticas públicas voltadas à proteção de mulheres negras. A avaliação é de que o enfrentamento passa por reconhecer o problema como estrutural.

(Redação ONG News)

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