A Universidade Zumbi dos Palmares lançou, nesta quarta-feira (13), a Câmara de Mediação Racial nas Relações de Consumo, iniciativa voltada à resolução de conflitos relacionados à discriminação racial em ambientes de consumo, atendimento e prestação de serviços. O projeto integra o Programa Racismo Zero e busca oferecer um espaço especializado para acolhimento, mediação e construção de soluções restaurativas.
O lançamento ocorreu em São Paulo e foi acompanhado da apresentação de uma pesquisa realizada pelo Centro de Estudos e Pesquisas Raciais (CEP Racial), da própria universidade. O levantamento revelou que 80% das empreendedoras negras entrevistadas relataram experiências relacionadas ao etnocentrismo, enquanto 78,9% apontaram episódios de sexismo e 74,4% afirmaram enfrentar barreiras financeiras em suas trajetórias profissionais.
Segundo a universidade, a Câmara combina práticas de mediação, justiça restaurativa e letramento racial, com apoio técnico da Faleck & Associados. A iniciativa conta ainda com apoio institucional do Procon-SP, da FecomercioSP, do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), do MOVER, da Fenavist, da APAS, da ANAN e do IERE.
Para o reitor da Universidade Zumbi dos Palmares, José Vicente, a proposta surge diante das dificuldades enfrentadas por vítimas de discriminação racial na busca por reparação.
“73% das vítimas não buscam seus direitos porque a forma como são tratadas nesses espaços acaba se constituindo em uma nova agressão. Com este trabalho, temos a capacidade de convocar essas pessoas para compreender seus direitos e fazê-los valer”, afirmou.
Segundo ele, o objetivo da Câmara vai além da resolução formal dos conflitos. “A Câmara de Mediação Racial nas Relações de Consumo nasce para que as pessoas possam sentar à mesa, colocar a sua dor e fazer com que o outro possa ouvi-las. Mais do que uma sentença, buscamos a solução de uma questão”, declarou.
O procurador-geral da universidade, Fernando Hirsh, destacou que a iniciativa acompanha um movimento crescente de debate sobre diversidade, reputação e responsabilidade empresarial no ambiente corporativo brasileiro.
Representando o Procon-SP, Luiz Orsatti Filho afirmou que a Câmara contribui para preencher uma lacuna no enfrentamento da discriminação racial nas relações de consumo. “O Procon Racial atua na prevenção, trabalhando com educação e letramento nas empresas. A Câmara fecha esse ciclo: quando o fato ocorre, ele é trabalhado em ambiente especializado para que, além da reparação, esse fato não se repita”, disse.
Durante o lançamento, representantes do setor empresarial também destacaram os impactos econômicos do racismo nas relações de consumo. Natália Paiva, representante do MOVER, afirmou que episódios de discriminação racial afetam diretamente o comportamento de consumidores negros e a relação com marcas e estabelecimentos.
A pesquisa apresentada pela universidade ouviu 90 empreendedoras negras da cidade de São Paulo entre os dias 5 e 10 de maio deste ano. O levantamento identificou ainda desafios relacionados ao acesso ao crédito, inclusão digital, barreiras tecnológicas e desigualdades estruturais nas relações de mercado.
A Universidade Zumbi dos Palmares é a primeira instituição de ensino superior do país voltada à promoção da igualdade racial e à formação de lideranças negras. Por meio do Programa Racismo Zero, a universidade desenvolve ações voltadas à articulação entre educação, justiça, mercado e inclusão social.
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(Redação ONG News)