Rede Nossa São Paulo lança mapa da desigualdade na primeira infância

Levantamento reúne indicadores de saúde, educação e infraestrutura nos 96 distritos da capital paulista; Moema lidera o ranking geral e Tremembé aparece na última posição
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A Rede Nossa São Paulo lançou a terceira edição do Mapa da Desigualdade da Primeira Infância, estudo que reúne indicadores sobre a oferta de serviços públicos para crianças de 0 a 6 anos nos 96 distritos da cidade.

O trabalho aponta grandes diferenças de acesso e oportunidades entre os bairros paulistanos em áreas como moradia, saúde, educação, violência e iluminação pública. No ranking geral, elaborado a partir do desempenho de cada distrito no conjunto dos indicadores, Moema aparece na liderança, com 77,3 dos 96 pontos possíveis, seguido por Alto de Pinheiros (76,6), Jardim Paulista (73,2), Perdizes (72,9) e Pinheiros (72,5). Na outra ponta, Tremembé ocupa a última posição, com 38 pontos, à frente de Perus (42,6), Parelheiros (46,3), Jaraguá (46,6) e Grajaú (47,3).

Segundo o levantamento, não existe uma linha única separando centro e periferia: há distritos com bons resultados em uma área e lacunas importantes em outra. Ainda assim, o mapa mostra que os piores indicadores tendem a se concentrar nos bairros mais distantes do centro expandido, justamente onde a renda é menor e a proporção de crianças pequenas na população é maior.

Os números por indicador

Na área da saúde, os indicadores abrangem pré-natal, gravidez na adolescência, parto cesariano, baixo peso ao nascer, mortalidade infantil, oferta de UBS e internações por doenças respiratórias. O mapa também traz dados sobre equipamentos públicos de esporte, violência sexual contra crianças, acidentes de trânsito e compatibilidade entre bairro e escola. Veja os melhores e piores resultados em cada um:

Adequação pré-natal (proporção de nascidos vivos de parturientes com sete ou mais consultas de pré-natal)

  • Melhor valor: Alto de Pinheiros – 96,3%
  • Pior valor: República – 76,5%
  • Média dos distritos: 86,2%

Gravidez na adolescência (proporção de nascidos vivos de parturientes com menos de 20 anos)

  • Melhor valor: Moema – 0,13%
  • Pior valor: Guaianases – 10,5%
  • Média dos distritos: 5,7%

Baixo peso ao nascer (crianças nascidas vivas com menos de 2,5 kg)

  • Melhor valor: Pinheiros – 6,1%
  • Pior valor: Consolação – 14,2%
  • Média dos distritos: 9,7%

Parto cesariano (percentual de partos cesáreos em relação ao total de partos)

  • Melhor valor: São Rafael – 40,6%
  • Pior valor: Tatuapé – 72,8%
  • Média dos distritos: 56,3%

Mortalidade infantil (óbitos infantis a cada mil nascidos vivos)

  • Melhor valor: Moema – 0
  • Pior valor: Brás – 20
  • Média dos distritos: 10

Unidades Básicas de Saúde (UBS a cada 10 mil habitantes)

  • Melhor valor: Marsilac – 1,68
  • Pior valor: 0, em Jardim Paulista, Consolação, Vila Mariana, Liberdade e Barra Funda
  • Média dos distritos: 0,39

Equipamentos públicos de esporte (equipamentos municipais e estaduais a cada dez mil habitantes)

  • Melhor valor: Pari – 1,7
  • Pior valor: 0, em Marsilac, Brás, Bela Vista, Perdizes, Saúde, Consolação, Morumbi, Pinheiros, Sé, Alto de Pinheiros e República
  • Média dos distritos: 0,3

Violência sexual contra crianças (casos notificados contra menores de 5 anos, por distrito de residência)

  • Melhor valor: 0, em Alto de Pinheiros, Consolação, Perdizes e Socorro
  • Pior valor: Casa Verde – 5
  • Média dos distritos: 1,7

Compatibilidade bairro-escola (alunos da educação infantil da rede municipal e parceira que estudam a até 1,5 km de casa)

  • Melhor valor: Casa Verde – 96%
  • Pior valor: Marsilac – 23,6%
  • Média dos distritos: 78,7%

Metodologia e financiamento

Todos os dados usados no mapa vêm da Prefeitura de São Paulo ou de pesquisas específicas, sob responsabilidade de seus realizadores, e são coletados pela Rede Nossa São Paulo em plataformas oficiais ou por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI). A entidade apenas reúne esses números e realiza os cálculos. A média do município corresponde à média simples dos valores dos distritos; já nos indicadores do tema “População” não há juízo de valor, são apenas destacados os distritos com maior número de crianças ou com predominância de determinados grupos demográficos.

Esta edição do estudo foi viabilizada com recursos de emenda parlamentar destinada pela deputada estadual Marina Helou ao Instituto Cidades Sustentáveis, para apoiar pesquisas e estudos ligados ao projeto. “Acredito que conhecer as desigualdades desde a primeira infância é fundamental para construirmos políticas públicas capazes de chegar primeiro a quem mais precisa”, afirma a parlamentar.

De acordo com a organização, o objetivo do mapa é subsidiar gestores públicos e a sociedade civil na identificação de prioridades por distrito, apontando caminhos concretos para melhorar a qualidade de vida das crianças e de seus cuidadores.

(Redação ONG News)

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