O Instituto Jô Clemente (IJC), em parceria com a Alstom Foundation, ampliou o projeto “Realidade Virtual para Inclusão”, voltado ao desenvolvimento da autonomia de pessoas com Deficiência Intelectual e Transtorno do Espectro Autista (TEA) no uso do transporte público. A nova fase da iniciativa passa a simular trajetos mais complexos, incluindo integrações entre diferentes linhas de metrô e situações cada vez mais próximas da rotina de quem precisa se deslocar diariamente para estudar ou trabalhar. Mais de 700 pessoas já vivenciaram a experiência desde a criação do projeto, em 2023, e o impacto indireto chega a cerca de 1.800 pessoas, entre familiares, cuidadores e redes de apoio.
A tecnologia permite que os participantes pratiquem, em ambiente seguro e controlado, situações comuns da mobilidade urbana, como embarques, desembarques, deslocamentos entre estações e tomada de decisões durante os trajetos. Além do percurso já existente entre a sede do Instituto Jô Clemente e a estação Santa Cruz, a experiência agora reproduz uma jornada mais extensa, com baldeações nas estações Ana Rosa (Linha 1 – Azul) e Consolação (Linha 3 – Verde) até a estação Faria Lima (Linha 4 – Amarela), uma das regiões de maior concentração de empregos de São Paulo. Até o final de 2026, o ambiente virtual deve ganhar novos cenários, incorporando situações fora das estações, como travessia de ruas, circulação em espaços públicos e áreas comerciais.
“O uso da Realidade Virtual permite que pessoas com deficiência vivenciem situações complexas do cotidiano de forma segura, respeitando o ritmo e as necessidades de cada pessoa. Ao simular o transporte público e os desafios da mobilidade urbana, conseguimos desenvolver competências fundamentais para a autonomia, a inserção no mercado de trabalho e a permanência desses profissionais em seus empregos”, afirma Ricardo Valverde, supervisor do Serviço de Longevidade do Instituto Jô Clemente.
Tecnologia como ferramenta de inclusão
Desde o lançamento, o projeto usa a tecnologia para desenvolver habilidades como orientação espacial, leitura do ambiente, interpretação de sinalizações, gestão do tempo e tomada de decisões durante os deslocamentos urbanos. Localizado na Vila Clementino, zona sul de São Paulo, o Instituto Jô Clemente mantém uma sala de Realidade Virtual que se tornou referência na aplicação da tecnologia para promover autonomia e inclusão social. A iniciativa conta ainda com o apoio do Metrô de São Paulo e da Motiva.
“Acreditamos que a tecnologia pode ser uma ferramenta essencial para reduzir desigualdades e ampliar oportunidades. Com a expansão do projeto, estamos apoiando o desenvolvimento de habilidades que contribuem diretamente para a autonomia, a inclusão social e o acesso ao mercado de trabalho por parte das pessoas com deficiência”, afirma Anne-Cecile Barbier, diretora de RSC e secretária-geral da Alstom Foundation.
(Redação ONG News)