Governança nas organizações e envelhecimento populacional pautam o FIFE 2026

Evento reúne especialistas no Recife para discutir gestão institucional e o papel das organizações sociais frente às transformações demográficas
Maria Iannarelli/Divulgação

A primeira manhã do Fórum Interamericano de Filantropia Estratégica (FIFE) 2026, realizado em Olinda – RE, reuniu especialistas para discutir temas centrais à gestão do terceiro setor.

Na palestra “Transparência e gestão de organizações religiosas – aspectos práticos”, o contador e engenheiro Marcelo Monello destacou a importância de alinhar a estrutura organizacional às exigências legais, especialmente após o reconhecimento das organizações religiosas como pessoas jurídicas de direito privado. Ele ressaltou que muitas instituições ainda operam com modelos pouco estruturados, o que pode comprometer a governança e dificultar o acesso a benefícios legais, como imunidades tributárias.

Monello também enfatizou a necessidade de profissionalização da gestão, com definição clara de papéis, instâncias decisórias e mecanismos de controle. “Não é saudável nem sustentável que o líder religioso concentre todas as funções administrativas, financeiras e operacionais. A boa governança exige divisão de responsabilidades e mecanismos claros de controle”, afirmou.

Envelhecimento populacional e desafios para as políticas públicas

A pauta social ganhou continuidade com a palestra “Desafios das políticas públicas e a pessoa idosa como usuária – papel das organizações sociais”, ministrada por Maria Iannarelli, assistente social e terapeuta de família. A especialista trouxe dados do Censo 2022 que evidenciam transformações profundas no perfil da população idosa no Brasil e seus impactos nas políticas públicas.

Segundo ela, 71% dos óbitos no país já correspondem a pessoas idosas, o que amplia significativamente a demanda por serviços de saúde e assistência. “Estamos preparados para isso? A prevenção e o acompanhamento estão sendo suficientes?”, provocou.

Maria também destacou mudanças nos arranjos familiares e no mercado de trabalho. Cerca de 1 em cada 4 pessoas idosas segue economicamente ativa – muitas vezes em condições de informalidade -, enquanto aproximadamente 5,6 milhões vivem sozinhas, representando o maior grupo entre os domicílios unipessoais. A tendência, segundo ela, é de crescimento, o que acende um alerta para o aumento do isolamento social e a insuficiência do suporte familiar.

Para a especialista, esses fatores evidenciam gargalos que não estão apenas no “fim da linha”, mas ao longo de toda a estrutura das políticas públicas. Nesse cenário, as organizações sociais assumem papel central. “Em mais de 90% das situações, nós somos os gestores e/ou executores das leis”, afirmou.

A fala reforça a importância dessas instituições na efetivação de direitos e na construção de respostas mais integradas diante do envelhecimento acelerado da população brasileira, um dos principais desafios sociais das próximas décadas.

O FIFE 2026 segue até esta sexta-feira (17), com uma programação voltada ao fortalecimento das organizações da sociedade civil. Entre os principais temas estão captação de recursos, comunicação, governança, tecnologia e inteligência artificial, além de aspectos jurídicos, contábeis e de gestão. Além disso, é considerado um dos principais encontros da área na América Latina.

O evento conta com o patrocínio de Audisa, Ambev, Banco do Nordeste, Governo do Brasil e Movimento Bem Maior, além do apoio de diversas instituições que contribuem para a realização do maior encontro de filantropia da América Latina.

A próxima edição do FIFE já tem destino definido. Em 2027, será realizado em Gramado, no Rio Grande do Sul. As inscrições já começaram com uma promoção inicial de R$699 por pessoa, para quem estiver presente em Recife nesta semana.

Para mais informações, acesse o site dialogosocial.com.br/fife26.

(Redação ONG News)

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