FIFE 2027 será em Gramado (RS)

Evento comeca em Recife com fala sobre IA e palestra motivacional de Marcos Rossi
Abertura do FIFE 2026 - Crédito ONG News

Recife recebeu nesta terça-feira (14/04) a abertura do FIFE 2026, um dos principais encontros do Terceiro Setor no Brasil, que reúne gestores de organizações, fundações, institutos e especialistas em captação de recursos e gestão social. Além de palestras e muita interação com uma plateia de mais de mil pessoas, os participantes acompanharam o início de uma programação intensa voltada à gestão e inovação no setor.

A programação oficial teve início com uma apresentação cultural no palco principal, destacando a diversidade da música e da performance do Nordeste brasileiro. Diante de um auditório lotado, o diretor do fórum, Márcio Zeppelini, conduziu a primeira palestra com foco nas transformações provocadas pela inteligência artificial no mundo do trabalho e, em especial, no Terceiro Setor.

Sem tratar a tecnologia como ameaça, Zeppelini defendeu que a IA inaugura uma nova etapa, menos centrada em tarefas e mais orientada ao impacto. “Não é o que você faz, é o impacto que você causa”, afirmou ao público, ao longo da apresentação.

A fala percorreu mudanças históricas, da Revolução Industrial à popularização da internet, para situar o momento atual como uma nova ruptura. Segundo ele, a inteligência artificial tende a substituir atividades repetitivas e operacionais, mas amplia a demanda por habilidades humanas, como pensamento crítico, criatividade e capacidade de conexão.

A apresentação também dialogou diretamente com a realidade das organizações sociais. Para Zeppelini, o desafio não está na substituição de profissionais, mas na adaptação das formas de trabalho. “Não é o emprego que está em jogo, é o modelo antigo de trabalho”, disse.

Ele destacou que ferramentas de IA já permitem acelerar processos como pesquisa, produção de conteúdo e análise de dados, reduzindo o tempo de execução de tarefas que antes levavam dias. O diferencial, nesse cenário, passa a ser a capacidade de interpretação, curadoria e aplicação dessas informações. “Máquinas executam. Humanos dão sentido”, resumiu.

Mas a atração da noite foi a do palestrante Marcos Rossi. A palestra de encerramento do primeiro dia do FIFE 2026 foi conduzida por ele, que subiu ao palco sem recorrer a dados ou tendências, mas à própria história. Nascido sem braços e pernas, ele abriu a fala lembrando o impacto do próprio nascimento, quando o médico desmaiou na sala de parto e o prognóstico de poucos anos de vida. A partir daí, construiu uma narrativa direta: circunstâncias não definem ninguém. “Decisão muda destino”, repetiu, transformando a frase em fio condutor de uma apresentação que alternou humor, choque e identificação imediata com a plateia.

FOTO: ONG News
Legenda: Marcos Rossi, sem braços, sem pernas e sem limites

Ao longo da fala, Rossi deslocou o foco do que falta para o que está disponível. Em vez de reforçar limitações, insistiu na ideia de que a vida não acontece “com você”, mas “para você”. O argumento ganhou força nas histórias pessoais: da infância adaptando brincadeiras ao esforço para ocupar espaços que inicialmente lhe foram negados. A mensagem, repetida em diferentes momentos, era simples e direta: não é a falta de recurso que paralisa, mas a forma como se enxerga – ou deixa de enxergar – o que já se tem.

A palestra também avançou sobre um terreno mais íntimo, ao tratar de identidade e emoções. Rossi falou sobre padrões mentais que se repetem ao longo da vida e sobre o peso das narrativas que cada pessoa constrói sobre si mesma. Ao lembrar exercícios que aprendeu ainda jovem, defendeu que aquilo que se afirma – o “eu sou” – molda comportamentos e decisões. Nesse ponto, a fala ganhou tom mais reflexivo, mas manteve o ritmo, conectando emoção, energia e ação como elementos centrais para qualquer mudança concreta.

Na reta final, o relato ganhou densidade ao incorporar perdas pessoais e momentos de virada. Rossi citou a morte do pai e episódios que, segundo ele, redefiniram seu caminho profissional, para sustentar a ideia de propósito. Sem encerrar em tom contemplativo, lançou um desafio prático ao público: passar cinco dias sem reclamar. A proposta, simples na forma, foi apresentada como exercício de ruptura de padrões. Ao deixar o palco, a mensagem que ficou não foi de superação abstrata, mas de escolha cotidiana, menos sobre vencer grandes obstáculos e mais sobre como se reage a eles.

O FIFE 2026 segue até esta sexta-feira (17), com uma programação voltada ao fortalecimento das organizações da sociedade civil. Entre os principais temas estão captação de recursos, comunicação, governança, tecnologia e inteligência artificial, além de aspectos jurídicos, contábeis e de gestão.

O evento conta com o patrocínio de Audisa, Ambev, Banco do Nordeste, Governo do Brasil e Movimento Bem Maior, além do apoio de diversas instituições que contribuem para a realização do maior encontro de filantropia da América Latina.

A próxima edição do FIFE já tem destino definido. Em 2027, será realizado em Gramado, no Rio Grande do Sul. As inscrições já começaram com uma promoção inicial de R$699 por pessoa, para quem estiver presente em Recife nesta semana.

Para mais informações, acesse o site dialogosocial.com.br/fife26.

(Redação ONG News)

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