Famílias da comunidade de São Raimundo, em Carauari (AM), dividem os custos e o trabalho de vigilância dos lagos utilizados no manejo sustentável do pirarucu para combater a pesca ilegal e conservar os recursos naturais da região. A atividade exige gastos com combustível, manutenção de equipamentos e estruturas de apoio, inclusive fora do período de pesca. A experiência evidencia um dos desafios da conservação na Amazônia: garantir recursos para que as próprias comunidades possam proteger seus territórios.
A questão do financiamento de iniciativas ambientais está entre os temas discutidos na COP17 da Biodiversidade, realizada até 30 de outubro, em Yerevan, na Armênia. A conferência reúne debates sobre como ampliar os recursos destinados ao cumprimento das metas globais de proteção da natureza e apoiar quem atua diretamente nos territórios.
Na comunidade de São Raimundo, a Associação de Moradores Extrativistas da Comunidade São Raimundo (AMECSARA) desenvolve o manejo sustentável do pirarucu desde 2011. O projeto apoiado pelo fundo Juntos pela Amazônia (JPA) prevê investimentos em vigilância, manutenção, equipamentos e insumos para reduzir os custos operacionais. A expectativa é contribuir para o aumento de 10% na renda de 55 famílias.
O desafio de garantir financiamento para a conservação também aparece na Aldeia Surisawa, em Santarém (PA). A falta de recursos comprometeu a continuidade de experiências anteriores com sistemas agroflorestais. Para enfrentar esse problema, a comunidade prevê a implantação de um viveiro e o cultivo de diferentes espécies vegetais, com a meta de produzir 10 mil mudas e recuperar cinco hectares de áreas degradadas.
A iniciativa também pretende oferecer formação para jovens e mulheres e ampliar as possibilidades de geração de renda por meio da comercialização de mudas, frutos, sementes e óleos.
Financiamento precisa garantir continuidade dos projetos
As duas iniciativas integram o Juntos pela Amazônia, fundo colaborativo lançado pelo Grupo +Unidos, com o Instituto Chamex e a Accenture como principais financiadores e integrantes do Conselho Gestor. Até o momento, o fundo contabiliza R$ 2,25 milhões investidos em seis iniciativas voltadas à restauração ambiental e aos negócios comunitários.
Para Daniel Grynberg, diretor executivo do Grupo +Unidos, o financiamento de projetos ambientais precisa considerar o tempo necessário para que os resultados sejam alcançados e mantidos.
Segundo ele, a recuperação de áreas degradadas depende do acompanhamento das mudas após o plantio, enquanto o manejo pesqueiro exige vigilância regular dos lagos. Por isso, os investimentos precisam contemplar não apenas a execução das atividades, mas também a manutenção e o monitoramento dos projetos.
A continuidade dos recursos é fundamental para que as comunidades consigam manter as ações de conservação e desenvolver alternativas de geração de renda associadas ao uso sustentável dos recursos naturais.
(Redação ONG News)