A gestão de riscos foi apresentada como um dos principais pontos de fragilidade na execução de projetos sociais durante a palestra “Gestão de Riscos 2.0: planos de contingência para riscos”, conduzida por Juan Palacios, diretor-geral da VRS Consulting. Com quase 30 anos de atuação em organizações sociais na América Latina, Europa, Ásia e África, o especialista defendeu que o risco não é um elemento acessório, mas parte estruturante da gestão — e, muitas vezes, negligenciado desde a concepção dos projetos.
Sua fala destacou que metas irreais e indicadores mal definidos seguem sendo adotados para viabilizar a aprovação de propostas, sem conexão efetiva com os objetivos institucionais. Nesses casos, os próprios critérios de avaliação passam a representar um risco. Foram citados exemplos de organizações que operam com dezenas ou até centenas de indicadores, o que torna inviável o monitoramento e desloca o foco da execução para a mensuração. A prática foi associada a um risco organizacional elevado, sobretudo quando não há capacidade técnica ou estrutura para sustentar esse modelo.
Juan Palacios comentou ainda sobre os riscos recorrentes na estrutura interna das organizações, como comunicação fragilizada, modelos excessivamente hierarquizados ou desorganizados e ausência de processos claros. No nível dos projetos, a sustentabilidade foi tratada como um dos principais pontos de atenção. “Iniciativas concebidas apenas para captação tendem a gerar expectativas irreais nas comunidades, sem garantir continuidade ou impacto consistente”, afirmou, lembrando que a falta de definição sobre resultados ou o momento de saída dos beneficiários são ótimos exemplos de riscos frequentes nas ONGs.
Aspectos financeiros e de governança também foram destacados na palestra. Custos indiretos, muitas vezes ignorados no planejamento, acabam comprometendo a execução, assim como variações externas, como taxa de câmbio. Problemas de governança — como alta rotatividade, equipes pouco qualificadas ou ausência de apoio institucional — são outros casos de riscos operacionais negligenciados.
Para o especialista, a gestão de riscos só funciona se estiver integrada ao ciclo do projeto. Iss quer dizer que, mesmo traçando um mapa de identificação, análise, planejamento de respostas, implementação e monitoramento do que pode dar errado, essas informações precisam ser atualizadas periodicamente.
Por fim, foi destacado que a ausência de gestão de riscos tende a transformar problemas previsíveis em crises, exigindo mais recursos e respostas emergenciais. Na avaliação de Juan Palacios, no terceiro setor, o risco não decorre apenas de fatores externos, mas é frequentemente produzido pelas próprias escolhas internadas da ONG no seu planejamento e na gestão.
O FIFE 2026 segue até esta sexta-feira (17), com uma programação voltada ao fortalecimento das organizações da sociedade civil. Entre os principais temas estão captação de recursos, comunicação, governança, tecnologia e inteligência artificial, além de aspectos jurídicos, contábeis e de gestão.
O evento conta com o patrocínio de Audisa, Ambev, Banco do Nordeste, Governo do Brasil e Movimento Bem Maior, além do apoio de diversas instituições que contribuem para a realização do maior encontro de filantropia da América Latina.
A próxima edição do FIFE já tem destino definido. Em 2027, será realizado em Gramado, no Rio Grande do Sul. As inscrições já começaram com uma promoção inicial de R$699 por pessoa, para quem estiver presente em Recife nesta semana.
Para outras informações, acesse dialogosocial.com.br/fife26.
(Redação ONG News)