O Instituto Clima e Sociedade (iCS) lançou o edital Comunicação para Ação Climática no Brasil, com o objetivo de selecionar projetos que ampliem o alcance e a compreensão de temas ligados à mudança climática e a um modelo de desenvolvimento mais inclusivo e resiliente. A chamada pública tem valor total de R$ 4 milhões e vai avaliar propostas de comunicação, distribuição de conteúdo e engajamento social a partir de conhecimentos e experiências já produzidos por organizações apoiadas pelo iCS.
Serão selecionadas cerca de dez propostas, cada uma com aporte de R$ 200 mil a R$ 500 mil, para execução ao longo de um ano. A expectativa é que os projetos funcionem como plataformas de comunicação e engajamento capazes de fortalecer o impacto coletivo de diferentes organizações dedicadas à causa climática, ajudando evidências e agendas estratégicas a alcançarem novos públicos e a influenciarem o debate público e a implementação de prioridades climáticas no país.
Foco na disseminação, não na definição de agendas
O edital deixa claro que os projetos selecionados devem se concentrar nos mecanismos de disseminação, mobilização e engajamento. A definição das agendas temáticas seguirá sendo construída pelo iCS em parceria com as organizações apoiadas. “Em um ambiente digital dominado por plataformas, algoritmos opacos e sistemas de inteligência artificial, ampliar o alcance de conteúdos qualificados exige estratégias e infraestruturas de comunicação capazes de superar barreiras de distribuição, alcançar novos públicos e transformar informação em engajamento e ação”, afirma Tatiana Lobão, gerente de Engajamento, Agentes de Mudança e Governança Climática do iCS.
Podem se inscrever organizações da sociedade civil com CNPJ ativo, coletivos, redes e movimentos sociais sem CNPJ – desde que indiquem uma organização financeira responsável pela gestão dos recursos – e empresas e consultorias com CNPJ ativo. É exigido que os interessados estejam constituídos há pelo menos três anos e comprovem experiência mínima de três anos em comunicação climática, socioambiental ou temas relacionados.
Formatos criativos e uso de IA entram na avaliação
Entre os critérios de seleção estão a conversão de informação em mobilização e transformação prática, a inovação em linguagens, formatos, tecnologias e estratégias de amplificação, a consideração à diversidade de públicos e territórios, a incorporação de monitoramento e avaliação, e a contribuição para o fortalecimento institucional das organizações envolvidas. Abordagens criativas e o uso de tecnologias como inteligência artificial também serão avaliados.
O edital sinaliza interesse especial por formatos ainda pouco explorados na comunicação climática, como stand-up comedy, podcasts de entretenimento, jogos, experiências imersivas, intervenções urbanas e produções culturais, incluindo referências a festas populares, música, esporte e gastronomia. Entre os exemplos de iniciativas que pretende apoiar estão projetos que aproximem a agenda climática do cotidiano das pessoas — em temas como alimentação, saúde, mobilidade, moradia, trabalho e custo de vida —, que tornem mais compreensíveis políticas públicas climáticas em estados e municípios, que comuniquem oportunidades ligadas à transição energética, como geração de empregos e inovação, e que deem visibilidade a soluções lideradas por comunidades, territórios periféricos, povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais.
“Acreditamos que enfrentar a crise climática também exige inovar na forma de comunicar. Queremos apoiar iniciativas que experimentem novos formatos e estratégias para fortalecer mensagens, traduzindo a riqueza de talentos, repertórios e formas de comunicação que existem no Brasil em iniciativas capazes de gerar impacto real, aproximar novos públicos da agenda climática e estimular a ação”, diz Tatiana Lobão.
Como participar
As inscrições para a primeira etapa do edital Comunicação para Ação Climática no Brasil podem ser feitas até 31 de agosto aqui.
(Redação ONG News)