De cada R$ 100 doados no Brasil, Norte e Nordeste recebem apenas R$ 21

Palestra abordou desafios e estratégias para driblar concentração de recursos para a filantropia no sul e sudeste
Foto: ONG News | Bia Gurgel é especialista em captação de recursos

A concentração regional de recursos no Brasil ainda impõe barreiras estruturais à atuação de organizações sociais no Norte e Nordeste. Dados da pesquisa BISC/Comunitas mostram que, em 2024, o Sudeste concentrou 36% dos investimentos sociais privados (R$ 1,4 bilhão), seguido pelo Sul, com 27% (R$ 1,08 bilhão). Já o Nordeste recebeu 20% (R$ 789,4 milhões), enquanto o Norte ficou com apenas 1% do total, cerca de R$ 34,8 milhões — um retrato da desigualdade que atravessa o campo da filantropia no país.

Foi a partir desse cenário que Bia Gurgel, fundadora da BG Soluções Sociais, estruturou sua fala sobre captação de recursos fora do eixo tradicional, na primeira manhã do FIFE, em Recife. Com formação em Comunicação Social pela Universidade de Fortaleza e mestrado em ajuda humanitária internacional, a especialista destacou que a construção de estratégias nessas regiões exige mais do que técnica: demanda tempo, investimento contínuo e presença territorial. “Construir redes é um processo constante”, afirmou, ao apontar que o relacionamento com financiadores não se estabelece de forma imediata.

Outro desafio central, segundo ela, está na consolidação de autoridade técnica. Em contextos onde o acesso a grandes financiadores é mais restrito, organizações precisam investir em especialização, sobretudo em temas transversais que dialogam com agendas nacionais e internacionais. Nesse processo, a articulação com políticas públicas aparece como um caminho possível de descentralização de recursos, com exemplos como fundos de direitos e iniciativas de advocacy que ampliam o alcance institucional.

A leitura qualificada do cenário também foi destacada como fator decisivo. Para além dos editais e chamadas públicas, Gurgel ressaltou a importância de compreender dinâmicas informais, redes de influência e o próprio “mercado” da filantropia. Nesse ambiente, insistir sem estratégia pode gerar desgaste institucional. “Não dê murro em ponta de faca”, resumiu, ao diferenciar resiliência de insistência improdutiva — um alerta direto para organizações que operam sob escassez, mas precisam manter foco e inteligência na captação.

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Captação no Norte e Nordeste exige estratégia para romper concentração de recursos

Desigualdade regional

A concentração regional de recursos no Brasil ainda impõe barreiras estruturais à atuação de organizações sociais no Norte e Nordeste. Dados da pesquisa BISC/Comunitas mostram que, em 2024, o Sudeste concentrou 36% dos investimentos sociais privados (R$ 1,4 bilhão), seguido pelo Sul, com 27% (R$ 1,08 bilhão). Já o Nordeste recebeu 20% (R$ 789,4 milhões), enquanto o Norte ficou com apenas 1% do total, cerca de R$ 34,8 milhões — um retrato da desigualdade que atravessa o campo da filantropia no país.

Foi a partir desse cenário que Bia Gurgel, fundadora da BG Soluções Sociais, estruturou sua fala sobre captação de recursos fora do eixo tradicional. Com formação em Comunicação Social pela Universidade de Fortaleza e mestrado em ajuda humanitária internacional, a especialista destacou que a construção de estratégias nessas regiões exige mais do que técnica: demanda tempo, investimento contínuo e presença territorial. “Construir redes é um processo constante”, afirmou, ao apontar que o relacionamento com financiadores não se estabelece de forma imediata.

Outro desafio central, segundo ela, está na consolidação de autoridade técnica. Em contextos onde o acesso a grandes financiadores é mais restrito, organizações precisam investir em especialização, sobretudo em temas transversais que dialogam com agendas nacionais e internacionais. Nesse processo, a articulação com políticas públicas aparece como um caminho possível de descentralização de recursos, com exemplos como fundos de direitos e iniciativas de advocacy que ampliam o alcance institucional.

A leitura qualificada do cenário também foi destacada como fator decisivo. Para além dos editais e chamadas públicas, Gurgel ressaltou a importância de compreender dinâmicas informais, redes de influência e o próprio “mercado” da filantropia. Nesse ambiente, insistir sem estratégia pode gerar desgaste institucional. “Não dê murro em ponta de faca”, resumiu, ao diferenciar resiliência de insistência improdutiva — um alerta direto para organizações que operam sob escassez, mas precisam manter foco e inteligência na captação.

O FIFE 2026 segue até esta sexta-feira (17), com uma programação voltada ao fortalecimento das organizações da sociedade civil. Entre os principais temas estão captação de recursos, comunicação, governança, tecnologia e inteligência artificial, além de aspectos jurídicos, contábeis e de gestão.

O evento conta com o patrocínio de Audisa, Ambev, Banco do Nordeste, Governo do Brasil e Movimento Bem Maior, além do apoio de diversas instituições que contribuem para a realização do maior encontro de filantropia da América Latina.

A próxima edição do FIFE já tem destino definido. Em 2027, será realizado em Gramado, no Rio Grande do Sul. As inscrições já começaram com uma promoção inicial de R$699 por pessoa, para quem estiver presente em Recife nesta semana.

Para mais informações, acesse o site dialogosocial.com.br/fife26.

(Redação ONG News)

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