Mais de 12% das crianças brasileiras de até cinco anos apresentam suspeita de atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, segundo pesquisa do Ministério da Saúde em parceria com o projeto Primeira Infância para Adultos Saudáveis (Pipas). Diante desse cenário, organizações da sociedade civil também têm papel na disseminação de informações e no apoio às famílias. É o caso do Instituto Jô Clemente (IJC), que disponibiliza gratuitamente um guia de orientação e estimulação para crianças e adolescentes de até 16 anos.
O material reúne informações sobre os marcos do desenvolvimento em diferentes faixas etárias, sinais que merecem atenção e sugestões de atividades que podem ser realizadas em casa ou no ambiente escolar. A publicação é voltada a familiares, cuidadores e educadores e contempla crianças e adolescentes típicos e neurodivergentes.
A iniciativa busca ampliar o acesso a informações que ajudem a reconhecer possíveis dificuldades durante o desenvolvimento infantil. Entre os sinais que merecem atenção estão atraso na aquisição da fala, ausência de contato visual, dificuldades de interação, pouca resposta a sons cotidianos e alterações no tônus muscular. Esses indicadores não representam, isoladamente, um diagnóstico, mas podem apontar a necessidade de avaliação por profissionais de saúde.
Orientação e estímulo desde os primeiros anos
A primeira infância é uma etapa importante para o desenvolvimento cerebral, período em que as experiências e interações contribuem para a formação de habilidades cognitivas, motoras e socioemocionais. Nesse processo, atividades simples, como conversar, contar histórias, brincar e incentivar movimentos, podem fazer parte da rotina de estímulos.
De acordo com Leonardo Martins, supervisor de Estimulação e Habilitação do IJC, o brincar é uma forma de a criança explorar o ambiente e desenvolver novas habilidades. A participação de familiares e cuidadores também permite observar como ela se comunica, interage e responde aos estímulos.
As atividades podem ser adaptadas à idade e às habilidades de cada criança. Nos primeiros meses, brincadeiras de esconder e revelar o rosto ajudam a estimular a atenção e a comunicação. Entre nove meses e dois anos, jogos de imitação e atividades com objetos do cotidiano favorecem a interação e o desenvolvimento motor. Na fase pré-escolar, jogos de tabuleiro, percursos de equilíbrio e brincadeiras de faz de conta trabalham habilidades como concentração, coordenação e noção espacial.
O acompanhamento deve continuar durante a fase escolar e a adolescência, quando novas competências relacionadas à autonomia, à organização e à convivência social passam a ser desenvolvidas.
Atuação do terceiro setor na disseminação de informação
Além dos atendimentos e serviços especializados, organizações da sociedade civil contribuem para aproximar informações e orientações de famílias que precisam de apoio. A produção de materiais gratuitos é uma das formas de ampliar esse acesso e fortalecer o trabalho de prevenção e identificação precoce de possíveis alterações no desenvolvimento.
O e-book Guia de Orientação e Estimulação Precoce da Infância e Adolescência (0 a 16 anos) está disponível gratuitamente no site do Instituto Jô Clemente, mediante preenchimento de formulário.
(Redação ONG News)