A Talento Incluir, consultoria especializada em inclusão produtiva de pessoas com deficiência, iniciou a coleta de dados da terceira edição da pesquisa “Radar da Inclusão 2026: empregabilidade de pessoas com deficiência”. O levantamento é feito em parceria com o Pacto Global da ONU – Rede Brasil e realização do Instituto Locomotiva.
Podem responder pessoas com deficiência e/ou neurodivergentes, com 18 anos ou mais, de qualquer região do Brasil. O questionário fica disponível até 14 de agosto e o resultado da análise deve ser divulgado em setembro.
Nesta edição, o formulário ficou mais enxuto e acessível, com tempo médio de resposta de cerca de 15 minutos, mudança pensada para ampliar a participação e garantir uma base mais representativa.
O que muda nesta edição
A nova versão da pesquisa traz redução do tempo de preenchimento, simplificação da linguagem e priorização de temas ligados diretamente ao mercado de trabalho. Uma das principais novidades é a inclusão de perguntas específicas sobre o impacto do trabalho na saúde mental das pessoas com deficiência — resposta direta a um dos achados da edição anterior, que amplia o olhar da pesquisa para além do acesso ao emprego, incluindo também permanência, bem-estar e desenvolvimento na carreira.
O que a edição de 2025 revelou
A edição anterior reuniu 1.765 participantes com deficiência e/ou neurodivergência em todo o país. Na época, 55% estavam empregados e 29% buscavam recolocação. Os dados mostraram um cenário ainda marcado por barreiras estruturais:
- 86% já passaram por situações de capacitismo no trabalho
- 56% já enfrentaram falta de acessibilidade
- 67% nunca foram promovidos, mesmo com mais de três anos de empresa
- 77% não se sentem totalmente confortáveis para falar sobre saúde mental com RH ou liderança
- 57% disseram que, mesmo quando existe treinamento sobre o tema nas empresas, os programas não são totalmente adequados ou acessíveis
Para que servem os dados
Os resultados da edição 2026 serão analisados por especialistas e devem subsidiar a identificação de barreiras à inclusão, o desenvolvimento de políticas públicas e práticas corporativas, a produção de conteúdo técnico para empresas e a ampliação do debate público sobre empregabilidade de pessoas com deficiência. A divulgação da pesquisa também foi reforçada em regiões historicamente menos representadas, como Norte e Nordeste.
“Os dados da última edição deixaram evidente que ainda estamos longe de uma inclusão plena. Dar continuidade a essa pesquisa é fundamental para acompanhar a evolução do cenário e pressionar por mudanças estruturais. A falta de informação ainda é uma das principais barreiras enfrentadas pelas pessoas com deficiência no mercado de trabalho. É um ato de transformação coletiva”, afirma Carolina Ignarra, CEO da Talento Incluir.
Como participar
A pesquisa pode ser respondida aqui até 14 de agosto.
(Redação ONG News)