A colaboração com startups abre novos caminhos para impactar o terceiro setor. Para ONGs internacionais relevantes, colaborar com startups oferece oportunidades para testar e escalar soluções inovadoras mais rapidamente, e para adotar modelos de operação mais sustentáveis. A discussão sobre inovação, novas formas de gestão e colaboração com o ecossistema de tecnologia está entre os temas que serão abordados no Fórum Interamericano de Filantropia Estratégica (FIFE) 2026, que acontece de 14 a 17 de abril de 2026, no Centro de Convenções de Pernambuco, em Olinda (PE). O encontro é considerado o principal espaço de capacitação e networking para gestores de organizações da sociedade civil na América Latina.
O sistema de auxílio atual enfrenta limites de capacidade, e estruturas tradicionais muitas vezes não conseguem responder sozinhas à complexidade dos desafios sociais. Em muitos casos, a preocupação com crescimento, competição e participação de mercado não tem impulsionado a adaptação estrutural e a inovação necessária para lidar com problemas sistêmicos.
As pessoas que trabalham no terceiro setor desejam inovar, mas acabam presas à gestão do cotidiano, o que dificulta pensar estrategicamente. Muitas lideranças planejam o futuro para os próximos anos, mas raramente conseguem projetar cenários para 10 ou 15 anos à frente. Nesse contexto, novas formas de colaboração e inovação passam a ser essenciais para fortalecer a capacidade de resposta das organizações sociais.
Esse é um dos temas que serão abordados no Fórum Interamericano de Filantropia Estratégica (FIFE) 2026, que acontece de 14 a 17 de abril de 2026, no Centro de Convenções de Pernambuco, em Olinda (PE). O evento é considerado o principal encontro de capacitação e networking para gestores de organizações da sociedade civil na América Latina.
Modelos de colaboração com startups para ONGs
Embora a colaboração com startups ainda não seja amplamente disseminada no terceiro setor, um número crescente de organizações tem experimentado diferentes modelos de engajamento. Esses modelos variam desde iniciativas pontuais, como hackathons humanitários de dois dias organizados pelo World Food Programme, até parcerias mais longas, como o Social Innovation Accelerator, no qual startups recebem seis meses de apoio de especialistas da Cruz Vermelha Francesa.
Decidir qual modelo é mais adequado exige avaliar o nível de recursos que a organização pode investir na parceria, sua maturidade institucional para trabalhar com startups e, principalmente, os objetivos estratégicos da colaboração. Para quem deseja aprofundar esse tipo de debate e trocar experiências com gestores e especialistas do setor, o FIFE reúne dezenas de atividades voltadas à gestão, inovação e sustentabilidade das organizações sociais. “O FIFE é um espaço de troca e aprendizado fundamental para quem quer fortalecer a gestão e ampliar o impacto das organizações sociais. Ainda dá tempo de garantir sua inscrição e fazer parte dessa rede de transformação”, destaca Thaís Iannarelli, diretora executiva da Rede Filantropia.
Como a colaboração com startups pode ampliar o impacto
A análise de diferentes experiências de colaboração mostra quatro objetivos principais buscados por organizações sociais ao trabalhar com startups:
● Apoiar startups com missões e valores semelhantes.
Exemplo: Leonard Cheshire oferece consultoria e promove prêmios para empreendedores com deficiência, fortalecendo um ecossistema de negócios mais inclusivo.
● Revitalizar mentalidades e métodos internos.
A organização Friends of the Earth, após criar um espaço de coworking para startups de tecnologia, passou a adotar abordagens mais ágeis em gestão de projetos e avaliação de impacto.
● Resolver desafios institucionais por meio da inovação conjunta.
O Fundo de Inovação da UNICEF apoia startups de mercados emergentes no desenvolvimento de tecnologias de código aberto que podem ser ampliadas globalmente.
● Garantir sustentabilidade organizacional de longo prazo.
A Save the Children Austrália, por exemplo, adquiriu startups com modelos inovadores de operação e receita para acelerar sua transformação institucional.
Como começar?
Apesar do potencial, estabelecer parcerias com startups não é simples. Pesquisas com gestores de inovação do terceiro setor indicam barreiras institucionais, financeiras, legais e culturais que podem dificultar a criação de valor nessas alianças.
Ao mesmo tempo, diversos casos demonstram que essas colaborações são possíveis quando ambas as partes chegam preparadas e dispostas a adaptar suas formas tradicionais de trabalho.
Por que ONGs estão olhando para o modelo de startup
O cenário atual pressiona as organizações sociais a se reinventarem. A demanda por resultados mensuráveis, a competição por financiamento e a complexidade dos desafios sociais exigem estruturas mais ágeis e orientadas por inovação.
Startups mostraram que é possível escalar soluções rapidamente, testar hipóteses e medir resultados de forma rigorosa — características cada vez mais necessárias para organizações do terceiro setor.
Elementos-chave da abordagem de startup em ONGs
Entre os principais elementos dessa abordagem estão:
● Agilidade – capacidade de responder rapidamente a mudanças sociais ou contextuais.
● Inovação contínua – experimentação constante de metodologias, tecnologias e parcerias.
● Medição de impacto – definição e monitoramento de indicadores estratégicos.
● Diversificação de receitas – uso de modelos híbridos, crowdfunding e parcerias corporativas.
● Cultura de risco – reconhecimento do erro como parte do processo de aprendizado.
● Colaboração radical – alianças com startups, empresas e instituições diversas.
Essas mudanças respondem a pressões crescentes do setor, como a exigência de evidências claras de impacto por parte de financiadores e a necessidade de soluções mais colaborativas para problemas complexos.
Riscos e limitações
Nem todos os elementos do universo das startups são facilmente transferíveis para o terceiro setor. A lógica de crescimento acelerado e competição intensa pode entrar em conflito com valores e propósitos sociais.
Entre os riscos mais relevantes estão:
● perda de foco na missão;
● expansão prematura;
● conflitos culturais;
● riscos financeiros e regulatórios.
O desafio é adaptar o melhor do mundo das startups — agilidade, inovação e aprendizado — sem perder o compromisso ético e o foco no bem comum.
Caso de sucesso
Inspirada no modelo da Teach for America, uma rede global de organizações sociais adotou metodologias típicas de startups, como escalabilidade, mensuração rigorosa de resultados e alianças multissetoriais. O modelo já foi expandido para mais de 50 países, sempre adaptado às realidades locais e priorizando inovação educacional.
Chaves para uma transição bem-sucedida
Alguns princípios podem orientar organizações sociais nesse processo:
● Centrar no problema, não no ego organizacional.
● Medir resultados e aprendizados, não apenas atividades.
● Adotar ferramentas ágeis de forma estratégica.
● Abrir-se para alianças com startups, empresas e outros atores.
Entre os primeiros passos estão revisar processos internos, capacitar equipes em metodologias ágeis, buscar modelos híbridos de atuação e comunicar com clareza o valor gerado pelas iniciativas.
A profissionalização e a adoção de práticas inspiradas no universo das startups não são apenas uma tendência. Elas representam uma resposta à complexidade dos desafios sociais contemporâneos, permitindo que organizações se tornem mais ágeis, inovadoras e capazes de gerar impacto duradouro.
Ainda há tempo para garantir participação no evento. “O FIFE é um espaço de troca e aprendizado fundamental para quem quer fortalecer a gestão e ampliar o impacto das organizações sociais. Ainda dá tempo de garantir sua inscrição e fazer parte dessa rede de transformação”, destaca Thaís Iannarelli, diretora executiva da Rede Filantropia.
A programação completa do evento, que reúne mais de 100 atividades e especialistas do Brasil e do exterior, pode ser consultada no site oficial: www.fife.org.br, onde também podem ser realizadas as inscrições, ou na programação preliminar disponível em dialogosocial.com.br/fife-programacao.
(Redação ONG News)