Relatório expõe fragilidade das ONGs de proteção animal no Brasil

Estudo da Federação Brasileira da Causa Animal (FEBRACA) mapeia 2.613 ONGs e revela falta de recursos, baixa profissionalização e superlotação de abrigos
Imagem Canva

A Federação Brasileira da Causa Animal (FEBRACA) divulgou, em 4 de fevereiro, o 1º Relatório de Impacto da Causa Animal no Brasil, levantamento que traça um panorama sobre a estrutura das organizações que atuam na proteção animal. O estudo, que mapeou 2.613 ONGs em todo o país, aponta um cenário de fragilidade financeira e administrativa: 76% das organizações citam a falta de recursos como principal dificuldade e 82% não possuem equipe contratada.

Os dados indicam que a precariedade estrutural impacta diretamente a capacidade de atendimento. Segundo o relatório, cerca de 4,8 milhões de animais vivem em situação de vulnerabilidade no Brasil. A taxa de ocupação dos abrigos revela saturação: para cada três animais que entram, apenas um consegue sair por meio da adoção.

O levantamento também evidencia desafios de gestão. De acordo com o estudo, 82,2% das organizações operam sem colaboradores remunerados e dependem exclusivamente de trabalho voluntário, sendo em 70% dos casos, sem formalização por meio de termos de adesão. Além disso, 61% das ONGs não mantêm portais de transparência com relatórios financeiros ou de atividades, o que dificulta a prestação de contas e a captação de recursos.

Outro ponto destacado é o isolamento das ONGs em relação a fontes de financiamento. O relatório mostra que 79% das ONGs não possuem parcerias com empresas privadas e 73% nunca firmaram convênios ou contratos de repasse com o poder público. A maioria sobrevive de doações esporádicas de pessoas físicas, realidade apontada por 62% das organizações. Ainda segundo o estudo, 72% afirmam nunca ter recebido emendas parlamentares.

A escassez de recursos se reflete na rotina dos abrigos. Mesmo com superlotação, 56,1% das ONGs conseguem realizar apenas de uma a cinco adoções por mês. Para enfrentar esse gargalo, 78,1% das organizações afirmam preferir receber doações financeiras, consideradas essenciais para custear despesas estruturais, veterinárias e de pessoal.

Apesar das dificuldades, o relatório aponta iniciativas de profissionalização como possíveis caminhos. O programa Mentora Pet, citado no estudo como experiência de fortalecimento institucional, registrou aumento de 255% na receita das organizações participantes e triplicou o número de parceiros ativos em cinco meses. O documento também estima que propostas de incentivo fiscal, como a dedução no Imposto de Renda para a causa animal, poderiam gerar até R$ 1 bilhão por ano para o setor.

Para o presidente da FEBRACA, Cadu Pinotti, o levantamento ajuda a dimensionar a urgência do tema. Segundo ele, os dados demonstram que a atuação das ONGs depende não apenas de mobilização social, mas também de estrutura e gestão profissional para garantir atendimento adequado aos animais.

A federação informou que a versão pública do 1º Relatório de Impacto da Causa Animal no Brasil será disponibilizada em breve por meio de suas redes sociais.

Para saber mais, acesse o site da FEBRACA.

(Redação ONG News)

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