Organizações da sociedade civil, ativistas e defensores dos direitos humanos realizam nesta quinta-feira (23) a XIX Ação Nacional Criança Não É de Rua. O ato é simultâneo em diversas capitais brasileiras, entre elas Fortaleza, São Luís, Manaus, Salvador, Belém, Rio de Janeiro e São Paulo, e marca os 33 anos da Chacina da Candelária.
A data lembra o assassinato de crianças e adolescentes que viviam nas ruas e dormiam perto da Igreja da Candelária, no centro do Rio, mortos em 23 de julho de 1993 por um grupo de extermínio formado por policiais militares. O episódio é considerado um marco na luta pelos direitos da infância no Brasil e segue simbolizando a urgência de proteção integral e garantia do direito à vida.
Quase 10 mil crianças vivem nas ruas no Brasil
Um levantamento do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua, feito em parceria com a Rede Nacional Criança Não É de Rua com dados do Cadastro Único de julho de 2026, mostra que o país tem 394.863 pessoas em situação de rua. Desse total, 9.976 são crianças e adolescentes de até 17 anos – 4.381 deles (44%) na primeira infância, fase considerada decisiva para o desenvolvimento.
No Ceará, são 270 crianças e adolescentes nessa condição, das quais 127 têm até seis anos. Fortaleza concentra 245 desses casos, 91% dos registros do estado.
Os números também mostram uma mudança de perfil: se antes a situação de rua atingia sobretudo crianças e adolescentes desacompanhados, hoje cresce o número de famílias inteiras vivendo nas ruas ou em ocupações urbanas, reflexo da crise habitacional, da insegurança alimentar e do aprofundamento das desigualdades sociais.
Pautas da mobilização
A ação deste ano cobra moradia digna para famílias em situação de rua e ocupações, acesso à creche e à educação de qualidade, atenção prioritária à saúde mental de crianças e adolescentes, preservação do meio ambiente, ampliação de cultura, esporte e lazer nas periferias, e se posiciona contra a redução da maioridade penal.
“Mais do que lembrar uma tragédia que marcou a história do país, esta mobilização reafirma a necessidade de garantir que nenhuma criança ou adolescente tenha seus direitos ameaçados pela exclusão social. Hoje, vemos crescer o número de famílias inteiras vivendo nas ruas e em ocupações, o que torna ainda mais urgente assegurar moradia digna, educação, proteção social e oportunidades para que crianças e adolescentes possam construir um futuro diferente”, afirma Manoel Torquato, coordenador-geral da Associação O Pequeno Nazareno.
Onde acontecem os atos
No Ceará, as mobilizações serão em Fortaleza, na Praça do Ferreira, às 15h; em Maranguape, na Praça do Gereraú (Tabatinga), às 17h; e em Paracuru, na sede da OPN, às 9h30. No Rio Grande do Norte, os atos ocorrem em Areia Branca, na Escola Municipal Valdecir Nunes, às 9h, e em Guamaré, na Praça Poliesportiva e de Convivência do Vila Maria, às 16h.
Em São Luís (MA), o ato será na Praça João Lisboa, às 14h30; em Belém (PA), na Praça Dom Pedro II, às 9h30; e em Oiapoque (AP), em Clevelândia do Norte, às 8h30. No Amazonas, a programação passa por Manaus, na Rotatória do Eldorado, às 8h; Coari, na Avenida Agamenon Silva, 698 (Urucu), às 9h; e Carauari, na Rua Francisco Lino de Oliveira, 210 (Bairro Memória), às 13h.
No Rio de Janeiro, a mobilização acontece em frente à Igreja da Candelária, às 10h. Em São Bernardo do Campo (SP), haverá uma roda de conversa às 14h, e em Salvador (BA), o ato será no Terreiro de Jesus, também às 14h.
(Redação ONG News)