O Observatório da Branquitude lançou o estudo “Branquitude e agropecuária: desafios para a justiça climática”, que mostra como a concentração racial da propriedade do gado no Brasil está ligada ao aquecimento global. A pesquisa revela que 70% do rebanho bovino brasileiro, o segundo maior do mundo, pertence a pessoas brancas, responsáveis pela maior parte das emissões nacionais de metano (CH₄), um dos gases mais nocivos ao efeito estufa no curto prazo.
O levantamento combina dados do Censo da Agropecuária de 2017 com informações dos últimos Censos populacionais e de relatórios internacionais sobre o impacto da atividade pecuária no clima. A pesquisa traz uma análise sob a perspectiva racial, evidenciando a responsabilidade da branquitude proprietária do rebanho brasileiro em um problema global que, no entanto, afeta de maneira desproporcional grupos raciais não brancos.
Segundo o estudo, a concentração da propriedade rural no país segue um padrão estabelecido no período colonial, em que latifúndios permanecem majoritariamente sob controle de pessoas brancas. A análise dimensiona ainda a parcela das emissões de gases de efeito estufa que pode ser diretamente atribuída a esses proprietários, reforçando a importância de considerar as desigualdades raciais no debate climático.
O Observatório da Branquitude destaca que a luta por justiça climática precisa incluir a variável raça/cor nos dados oficiais e assumir a urgência de uma abordagem que leve em conta a desigualdade estrutural. A expectativa é de que o estudo ajude a racializar o debate climático em um ano decisivo para o tema no Brasil, às vésperas da COP30.
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(Redação ONG News)