Escola Gracinha lança guia de enfrentamento ao racismo na infância

Pesquisa nacional aponta que 16% das crianças de 0 a 6 anos já sofreram discriminação, principalmente em creches e pré-escolas
Ruyk Kitagawa A Escola Gracinha conta com o Guia de Enfrentamento ao Racismo, documento que orienta educadores, funcionários, estudantes e famílias sobre o tema.

A Escola Gracinha, mantida pela Associação Pela Família, lançou o Guia de Enfrentamento ao Racismo, documento que orienta educadores, funcionários, estudantes e famílias sobre como identificar e combater atitudes racistas dentro e fora do ambiente escolar. A iniciativa ganha relevância diante dos dados da pesquisa nacional “Panorama da Primeira Infância: o impacto do racismo”, realizada em 2025, que revela que 63% dos responsáveis por crianças de 0 a 6 anos acreditam que o racismo é comum no Brasil e também atinge a primeira infância. O levantamento aponta ainda que 16% dos entrevistados afirmam que suas crianças já sofreram discriminação, principalmente em creches e pré-escolas, citadas por 54% deles.

O guia é uma iniciativa do Grupo Guardião, coletivo que impulsiona a pauta antirracista na escola. Segundo o grupo, o documento reforça valores essenciais da comunidade escolar e orienta sobre como agir diante de casos de injúria racial ou racismo, envolvendo crianças, adolescentes ou adultos.

“Nosso objetivo vai além de reagir aos episódios de racismo. Entendemos que esse documento não resolverá todos os nossos problemas, mas, com ele, queremos prevenir, educar e desnaturalizar atitudes racistas dentro e fora da escola, promovendo o respeito e o reconhecimento da diversidade em nosso convívio cotidiano”, explica o grupo organizador.

O que o guia apresenta

O documento traz uma abordagem ampla sobre o enfrentamento ao racismo no ambiente escolar. Ele conceitua o tema e seu contexto histórico, descreve a estrutura de acolhimento e encaminhamento disponível, orienta sobre como denunciar casos, detalha os processos de tratamento das ocorrências e estabelece formas de acompanhamento e aprimoramento contínuo das ações.

Além do guia, a escola tem promovido clubes de leitura, palestras, aulas, cursos, colóquios e eventos voltados à comunidade escolar. “Temos revisado o currículo da escola, inserindo referências negras e indígenas em todas as áreas de conhecimento. Como parte desse processo, também ampliamos o acervo da biblioteca”, comenta o grupo.

Troca de experiências entre escolas

O compartilhamento de experiências entre instituições de ensino também é considerado essencial nesse processo. Um exemplo é o bate-papo “Construções de Guias de Enfrentamento ao Racismo: Experiências Escolares”, liderado pela coordenadora de Equidade e Antirracismo Pedagógico do Gracinha, Aline Gama, que reúne colégios para reflexão e aprendizado coletivo. No encontro, é apresentada a trajetória da própria escola, com destaque para práticas formativas voltadas à construção de uma educação comprometida com a justiça social e o combate às desigualdades.

“Mantemos um compromisso contínuo com a educação antirracista. As ações buscam enfrentar de forma concreta as diversas manifestações de violência racial e garantir formação constante aos profissionais da instituição, fortalecendo uma cultura escolar baseada no respeito, na equidade e na convivência ética”, finaliza Aline.

(Redação ONG News)

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