O Brasil permanece fora do Mapa da Fome pela segunda vez consecutiva, de acordo com o relatório O Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo 2026 (SOFI), divulgado nesta terça-feira (21) pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO-ONU), durante a 30ª Sessão do Comitê de Agricultura da entidade, em Roma. O documento mostra que, no triênio 2023-2025, o país manteve a proporção de população subnutrida abaixo dos 2,5% — limite adotado pela FAO para considerar que uma nação está fora dessa lista.
Os dados também revelam que a insegurança alimentar severa no Brasil recuou para 0,6% da população, o equivalente a 1,2 milhão de pessoas — o menor patamar já registrado pela série histórica do levantamento.
Reconhecimento internacional
Em discurso na sessão da FAO, a ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Fernanda Machiaveli, destacou que os resultados comprovam que a fome pode ser enfrentada com políticas públicas consistentes. Segundo ela, o combate à fome no país passa por uma abordagem conjunta, que une aumento de renda, fortalecimento do acesso a alimentos saudáveis e substituição de ultraprocessados por opções frescas e diversificadas.
O fundador do Instituto Fome Zero (IFZ) e ex-diretor-geral da FAO, José Graziano da Silva, avaliou os números como uma boa notícia para o país. Com base nos dados do relatório, ele estima que a subalimentação no Brasil já esteja abaixo de 1%, possivelmente entre 0,6% e 0,7%.
Insegurança alimentar moderada ou grave também cai
O relatório aponta ainda queda expressiva na insegurança alimentar moderada ou grave, que passou de 22,1% da população brasileira, no triênio 2020-2022, para 9,6% (cerca de 20,3 milhões de pessoas) no período 2023-2025.
Já a proporção de brasileiros que não conseguem pagar por uma alimentação saudável também diminuiu, chegando a 21,1% da população em 2025 — o equivalente a 44,8 milhões de pessoas. O número representa uma melhoria significativa frente ao pico de 31,1%, registrado em 2021.
Pontos de atenção
Apesar dos avanços, o relatório chama atenção para indicadores que ainda preocupam no Brasil, como o aumento da obesidade — que atinge 30,1% da população adulta — e o alto índice de anemia entre mulheres em idade fértil, de 21,3%. Graziano da Silva reforça que, mesmo com a redução da fome severa, mais de 1 milhão de brasileiros ainda vivem essa condição extrema e precisam de atenção prioritária.
Cenário mundial
Globalmente, o SOFI 2026 mostra queda pelo terceiro ano consecutivo na proporção de pessoas em situação de fome, que passou de 8,6% em 2022 para 7,8% em 2025 — cerca de 645 milhões de pessoas. A recuperação, no entanto, é desigual: enquanto Ásia e América Latina apresentam melhorias graduais, a África concentra o maior número absoluto de pessoas famintas, com 309 milhões de pessoas, ou 20% da população regional.
(Redação ONG News)