Brasil reconhece método que substitui uso de sangue de caranguejo-ferradura em testes farmacêuticos

Nova resolução do CONCEA oficializa tecnologia que dispensa o uso de animais para detectar contaminação em vacinas e medicamentos injetáveis e estabelece transição de cinco anos para sua adoção

A Humane World for Animals saúda a publicação, pelo Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (CONCEA), de uma resolução que reconhece o Fator C recombinante (rFC), um teste que não usa animais, como o método oficial para detectar a contaminação de produtos injetáveis. Este é um marco no esforço para modernizar o controle de qualidade farmacêutica e reduzir a dependência do teste tradicional derivado de sangue do caranguejo-ferradura. 

A norma recém-publicada, Resolução nº 77 de 22 de julho de 2026, reconhece o rFC como um método validado internacionalmente e marca o início de um período de transição de cinco anos para a substituição do teste que usa derivado de sangue do caranguejo-ferradura, exceto nos casos de incongruência cientificamente demonstrada com o produto que está sendo testado.

“Parabenizamos o CONCEA e o governo por reconhecerem o rFC como um substituto cientificamente robusto para o método que usa lisado de amebócitos do caranguejo-ferradura. Essa decisão alinha o Brasil à prática regulatória internacional, dando aos laboratórios e fabricantes um caminho claro para adotar um método preciso, reprodutível, sustentável e livre de animais”, diz Bianca Marigliani, Principal Sênior de Ciência Regulatória da Humane World for Animals, representante do Ministério do Meio Ambiente e atual coordenadora da Câmara Permanente de Métodos Alternativos do CONCEA.

“A Humane World for Animals tem trabalhado no Brasil e em todo o mundo para apoiar a transição de testes com animais e derivados de animais para tecnologias avançadas, sem animais. Esta resolução é um marco importante para a proteção animal e a preservação ambiental.”, ressalta.

A organização trabalha ativamente para a transição para o rFC e outras tecnologias na Europa, Brasil, EUA, Coreia do Sul, Índia e Indonésia, trabalhando com formuladores de políticas, reguladores, empresas farmacêuticas, fabricantes de biofarmacêuticos e fornecedores de reagentes. No Brasil, a organização colaborou com as principais empresas biofarmacêuticas, reguladores e fornecedores de kits de rFC para criar um grupo de trabalho para trocar experiências técnicas, identificar desafios de implementação e apoiar a aceitação regulatória do método.

As principais disposições da nova resolução incluem:

● Reconhecimento do rFC, tornando-o um método oficial para a detecção de endotoxinas bacterianas, em vez de uma opção “alternativa”.

● Validação e aceitação internacional, com o reconhecimento de que o método foi validado por meio de estudos internacionais e alcançou aceitação regulatória internacional.

● Transição do teste derivado de sangue do caranguejo-ferradura, com prazo de até cinco anos para substituição obrigatória pelo rFC.

● Flexibilidade específica por produto, permitindo que outros métodos sejam considerados em casos excepcionais de incompatibilidade com o produto, quando tecnicamente justificados e suportados por evidências científicas.

● Alinhamento com a ciência ética, centrando-se na substituição, redução e refinamento do uso de animais e na adoção de tecnologias de controle de qualidade mais sustentáveis.

A mudança para o método rFC pode ajudar a reduzir a dependência de populações selvagens de caranguejos-ferradura, proteger os ecossistemas marinhos, fortalecer a resiliência da cadeia de suprimentos para reagentes de teste de endotoxinas e promover um controle de qualidade mais consistente para produtos injetáveis. A Humane World for Animals continuará trabalhando com reguladores, indústria e parceiros científicos para acelerar a adoção global de tecnologias livres de animais e que ofereçam melhores resultados para animais, pessoas e meio ambiente.

A organização atua em todo o mundo para substituir experimentos animais cruéis e desatualizados por métodos inovadores que não usam animais. Nossas equipes na Austrália, Brasil, Canadá, União Europeia, Índia, África do Sul, Coreia do Sul, Estados Unidos e outras economias-chave ajudam a mudar leis, regulamentos e práticas científicas para acabar com testes e pesquisas em animais e promover o desenvolvimento, aceitação e uso de métodos avançados que não utilizam animais. Lideramos a Colaboração para Avaliação de Segurança Sem Animais (Animal-free Safety Assessment – AFSA), bem como a Colaboração de Pesquisa Biomédica para o Século XXI (BioMed21), parcerias multissetoriais e multinacionais que promovem a ciência sem animais como o padrão ouro.  

Webinar apresenta os avanços dos métodos recombinantes para testes de endotoxinas bacterianas 

Na próxima quinta-feira, 30 de julho, das 13h às 17h30 (horário de Brasília), a Colaboração AFSA realizará um webinar dedicado à transição dos métodos tradicionais baseados no lisado de amebócito de Limulus (LAL) para métodos recombinantes para testes de endotoxinas bacterianas.

O evento reunirá especialistas de colaborações internacionais, instituições financeiras,  setor regulatório, indústria biofarmacêutica e fornecedores de tecnologia para discutir o cenário brasileiro e internacional, os caminhos regulatórios para o reconhecimento de métodos alternativos e experiências práticas de implementação no Brasil.

A programação abordará desde os fundamentos científicos e regulatórios dos métodos recombinantes até casos concretos de transição global e nacional, como o Instituto Butantan. O webinar será uma oportunidade para profissionais das áreas regulatórias, controle de qualidade, pesquisa, desenvolvimento, produção e inovação acompanharem as tendências que estão moldando o futuro dos testes de endotoxinas no país.

Webinar: Métodos recombinantes: o futuro dos testes de endotoxinas bacterianas no Brasil

Data: 30 de julho de 2026

Horário: das 13h às 17h30 (horário de Brasília)

Formato: Online (via Microsoft Teams)

Organização: Colaboração AFSA.

Gratuito | Clique aqui para participar

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Nota aos editores:

● O teste de endotoxinas é uma etapa essencial no controle de qualidade para medicamentos injetáveis, vacinas e outros produtos parenterais, pois as endotoxinas podem causar febre e reações adversas graves se contaminarem produtos destinados ao uso médico. Há décadas, o teste de Lisado de Amebócitos de Limulus (LAL) tem sido usado para detectar e quantificar endotoxinas, mas o reagente chave é obtido da hemolinfa de caranguejo-ferradura, muitas vezes referida como “sangue azul”. O processo de coleta pode prejudicar os animais e contribuir para a pressão sobre as populações selvagens de caranguejos-ferradura e os ecossistemas costeiros que dependem deles.

● O Fator C recombinante foi desenvolvido para abordar as limitações científicas, éticas e ambientais associadas ao LAL. O método usa tecnologia do DNA recombinante para produzir o Fator C, uma proteína chave sensível à endotoxina envolvida na cascata de coagulação do caranguejo-ferradura, sem depender de produtos sanguíneos derivados de animais. Evidências revisadas pela Câmara Permanente de Métodos Alternativos do CONCEA identificaram que o rFC é relevante, confiável e reprodutível, com validação internacional e aceitação regulatória apoiando seu uso para detecção de endotoxinas bacterianas.

● O reconhecimento do rFC no Brasil faz parte de um movimento internacional mais amplo para substituir testes de segurança baseados em animais e derivados de animais por métodos modernos que melhoram a previsibilidade, consistência e sustentabilidade. O método rFC já foi aceito pelas principais autoridades reguladoras internacionais e farmacopeias, incluindo a Food and Drug Administration dos EUA e a Farmacopeia Europeia, e está sendo incorporado ou considerado em outros sistemas farmacopeicos importantes.

Sobre a Humane World for Animals

Juntos, enfrentamos as causas profundas da crueldade e do sofrimento animal para promover mudanças permanentes. Com milhões de apoiadores e atuação em mais de 50 países, a Humane World for Animals – anteriormente conhecida como Humane Society International – combate as formas mais arraigadas de crueldade e sofrimento animal. Como a principal voz na proteção animal, trabalhamos para erradicar as práticas mais cruéis, oferecer cuidados a animais em situação de crise e fortalecer o movimento de defesa dos animais. Buscando o maior impacto global possível, nossa missão é transformar em realidade a visão por trás do nosso nome: um mundo mais humano.

Para mais informações, acesse aqui.

(Redação ONG News)

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