Até quando vamos medir a eficiência policial pela quantidade de mortes nas operações?

Esse tipo de violência concretiza e reforça as desigualdades territoriais e raciais existentes no nosso país
Policiais do BPChq estão posicionados em pontos estratégicos localizados no entorno do Complexo da Penha, na Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro, dando suporte aos policiais que estão operando na região. Foto: PMERJ/Twitter

Policiais militares de São Paulo e da Bahia promoveram neste fim de semana operações em comunidades em seus respectivos estados que provocaram a morte de mais de 30 pessoas (quase todas negras) e geraram inúmeras denúncias de torturas, agressões e ameaças de violência. 

O Brasil não pode mais conviver com esse tipo de ação policial, que tem como justificativa o combate ao tráfico de drogas e crime organizado, mas não resolve nenhum dos dois problemas. Além de contrariar a legislação nacional e tratados internacionais de Direitos Humanos dos quais o Brasil é parte, o uso do terror nas comunidades como estratégia de combate ao crime é ineficiente e só faz engrossar as estatísticas que colocam a polícia brasileira entre as que mais matam no mundo.

Há poucos dias, o Comitê de Direitos Humanos da ONU já havia alertado o Estado brasileiro sobre o quadro de violência policial no país, demonstrando preocupação com os numerosos relatórios sobre o uso da força letal pela polícia e forças de segurança do país.

É inaceitável que as autoridades desqualifiquem as denúncias de violência e agressões a moradores das comunidades atingidas como sendo “narrativas” do tráfico de drogas ou fiquem “extremamente satisfeitas” com o alto número de mortes. É preciso usar mais a inteligência do que a força (e a vingança) como estratégia de combate ao crime.

Os governadores e os Ministérios Públicos dos Estados de São Paulo e da Bahia têm o dever legal, ético e moral de apurar as condições em que as operações foram realizadas e as devidas responsabilidades pelo uso excessivo da força e demais abusos contra moradores das comunidades afetadas pela violência estatal. 

Vale dizer que esse tipo de violência concretiza e reforça as desigualdades territoriais e raciais existentes no Brasil. É necessário que o Governo Federal e os governos estaduais, conjuntamente, assumam que é urgente construir um programa nacional para lidar com essa emergência. Só ações conjuntas podem enfrentar a mortandade de pessoas, na sua maioria negras, de comunidades nas periferias brasileiras. 

A Oxfam Brasil se solidariza com as famílias das vítimas, com os moradores das comunidades que sofreram agressões, ameaças e violações de direitos. Também se solidariza com a família do policial assassinado e reforça a importância de que todas as mortes sejam devidamente investigadas e os excessos cometidos por agentes de segurança exemplarmente punidos.

Fonte: Oxfam Brasil

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