A orla de Copacabana volta a receber, no próximo dia 26 de julho, a 12ª edição da Marcha das Mulheres Negras do Estado do Rio de Janeiro. A concentração está marcada para as 10h, no posto 2, e integra a programação do Julho das Pretas, mobilizando mulheres negras de dezenas de municípios fluminenses em um dos maiores atos políticos do movimento negro no estado.
Neste ano, o tema escolhido é “Em defesa da democracia, contra o racismo, pela reparação e bem viver”. Segundo a organização, a expectativa é reunir entre 10 mil e 15 mil mulheres vindas de regiões como São Francisco de Itabapoana, Cantagalo, Niterói e a Baixada Fluminense.
Uma trajetória iniciada em 2015
A marcha estadual existe desde 2015, um ano depois da primeira edição nacional do ato, realizada em Brasília com a participação de cerca de 100 mil mulheres. De acordo com Clatia Vieira, coordenadora da 12ª Marcha das Mulheres Negras-RJ, o movimento nunca deixou de ocupar as ruas, mesmo durante a pandemia, quando duas edições foram realizadas de forma virtual. Para ela, a continuidade da marcha está diretamente ligada à persistência do racismo estrutural no país.
A escolha de Copacabana como palco do ato também tem peso simbólico. Rose Cipriano, integrante da coordenação, lembra que o bairro é historicamente marcado por desigualdades raciais, já que muitas mulheres negras trabalham ali como empregadas domésticas. Ocupar o território com a marcha, segundo ela, é também uma forma de reivindicá-lo.
Pautas e reparação histórica
Entre as bandeiras da marcha estão a defesa da PEC da Reparação, o fim da escala de trabalho 6×1, a oposição à redução da maioridade penal e o acesso à saúde, à educação e ao trabalho digno. A coordenação destaca que as pautas são construídas pelas próprias mulheres negras a partir de suas experiências cotidianas com o racismo.
Além do caráter político, a programação inclui manifestações culturais como jongo, samba, feira de artesãs, atividades infantis e expressões ligadas às religiões de matriz africana, sendo elementos que, segundo a organização, reforçam a ancestralidade que sustenta o movimento.
(Redação ONG News)